A peça em destaque no mês de março, no Polo museológico de Arte Sacra foi o fragmento do pelourinho que se encontra na entrada do edíficio da Câmara Municipal de Monchique.

A ficha correspondente fica disponível para leitura.

O pelourinho é um monumento em pedra que, por simbolizar o poder da autoridade, justiça e autonomia concelhia, tinha a função de difundir anúncios e proclamações e expor ao vexame público os criminosos. Composto por uma plataforma com degraus (quadrangular, circular ou octogonal), na qual assentava uma coluna rematada por, pelo menos, um elemento arquitetónico, o pelourinho era, geralmente, erguido na praça mais importante de determinada povoação e rodeado pelos principais edifícios do poder local, como a igreja ou a câmara municipal.

É provável que o pelourinho de Monchique tenha sido construído pouco depois de 4 de março de 1773, data da oficialização da criação deste concelho e, segundo José Gascon, instalado no «Largo da Misericórdia, pelo menos até 1820». Na altura, este era o largo mais amplo da vila e situava-se próximo da igreja matriz e do edifício onde até 1848 funcionou a Câmara Municipal, na Rua do Açougue.

A ausência de referências ao monumento no Código das Posturas da Câmara de 1842 leva a crer que o mesmo tivesse sido já desmantelado. Todavia, no artigo nº 48 do documento referido podia ler-se que «só será permitido expor-se à venda peixe ou outro género vindo de fora, na Praça do Pelourinho» – antiga designação do atual Largo da Misericórdia  levando a crer que mesmo sem a eventual presença física do pelourinho nesta praça, a denominação ainda se manteve durante algum tempo.

De acordo com José Gascon, na primeira metade do século XX, apenas restavam «duas pedras que formavam a coluna que deveria ter aproximadamente a altura de três metros», uma das quais, «pela sua configuração parecia ter sido a parte inferior da coluna (…), apresentando uma base cúbica, de cantos arredondados, de 0,50 m. de altura, prolongando-se, para o alto, em fuste prismático, octogonal, de 1,10 m. de altura». Segundo consta, este fragmento esteve na oficina de ferrador existente no número 11 da Rua do Porto Fundo e acabou totalmente destruído no decorrer das obras de adaptação da loja a café.

O segundo fragmento, que está exposto na entrada do edifício da Câmara Municipal, tem 1,15 metros de altura e «tinha a mesma forma da outra [pedra] e terminava por um pequeno capitel, em pirâmide, também de oito faces, e que era talhado numa pedra separada». Numa das extremidades é visível um orifício circular, provavelmente destinado ao espigão que existia no fragmento destruído.

O pelourinho está classificado como imóvel de interesse público desde 11 de outubro de 1933.

 

 

 Bibliografia:

 

CARNEIRO, I.; CAMPOS, N. (2003). «O Concelho de Monchique e as suas Armas Municipais – Da perspectiva histórico-sociológica à perspectiva heráldica», Comissão Instaladora do Museu de Monchique, Junta de Freguesia de Monchique, Monchique;

CARVALHO, A. M. R. (2013). Pelourinhos da Beira Interior. Uma página esquecida na História de Portugal.

GASCON, José António Guerreiro (1993). «Subsídios para a Monografia de Monchique», 2ª edição, Algarve em Foco Editora, Faro, 199;

MATEUS, Ana Rita, (2013) «A Elevação de Monchique a vila – Dois séculos de História», Monografia do Curso de Licenciatura em Património Cultural, Universidade do Algarve, Faro;

 

Jornal de Monchique nº 45 (Dezembro 1991),  n.º 392 (Fevereiro de 2018)

 

Suporte informático:

http://www.patrimoniocultural.gov.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/74673