O destaque do mês de abril para o Polo Museológico de Arte Sacra é o sacrário que está colocado sobre a mesa do altar reconstituído.

Aqui pode ler a ficha respetiva que pode ser depois disponibilizada em papel, quando o estado de emergência e suas consequências limitativas o permitirem.

Polo Museológico de Arte Sacra – Destaque do mês (Abril)

 

Sacrário

 

A palavra sacrário é representativa do lugar onde se «guarda o sagrado» e deriva do latim, de «tabernaculum», que significa «tenda de campanha».

O sacrário é descrito como um móvel onde se guarda a píxide ou cibório que contém a Sagrada Eucaristia. Deve ser sólido, inviolável e não transparente e deve estar «colocado num local nobre e destacado, convenientemente adornado, inamovível (…), fechado com chave, num ambiente que torne fácil a oração pessoal fora do momento da celebração e, portanto, o melhor local é numa capela separada. Junto ao sacrário, luz constantemente uma lâmpada, com a qual se indica e honra a presença de Cristo». (ALDAZÁBAL, p. 267).

A Eucaristia foi instituída na Quinta-Feira Santa, durante a Última Ceia que Jesus Cristo celebrou com os Apóstolos, na cidade de Jerusalém, antes de ser preso e crucificado. Segundo as Escrituras, durante esse momento, Cristo abençoou o pão, repartiu-o e disse «Tomai todos e comei, isto é o meu corpo» e tomou um cálice com vinho, deu graças novamente, entregou-o aos discípulos e disse «Tomai todos e bebei. Isto é o meu sangue, que será derramado por todos para perdão dos pecados. Fazei isto em minha memória».

A Eucaristia constitui o sacramento principal dos cristãos, representando o alimento espiritual em que Jesus Cristo «se dá à sua comunidade, sob o sinal do pão e do vinho, para a tornar partícipe da sua própria Pessoa Gloriosa, do seu Corpo e Sangue, entregues de uma vez por todas na Cruz e, agora, na sua existência pascal escatológica». (ALDAZÁBAL, p. 153).

O sacrário em destaque integra a coleção permanente do Polo Museológico de Arte Sacra, situado na cave da Igreja Matriz de Monchique, no âmbito do protocolo estabelecido com a Junta de Freguesia, desde 2003.

De proveniência desconhecida, este sacrário do século XVIII, com as dimensões de 73 x 56 x 34 cm, é feito em madeira e é constituído por vários elementos, assemblados com policromias marmoreadas, ouro falso e purpurinas douradas e prateadas.

De planta plana, apresenta tipologia composta por um corpo, um tramo e ático. O corpo é delimitado por duas pilastras que ladeiam a porta do sacrário, onde se ostenta o cálice e a hóstia. O entablamento é contínuo e reto nas laterais e sobrelevado ao centro, acompanhando o formato da porta. O ático desenvolve-se por cima do entablamento e restringe-se a um frontão ornamentado por concheados.

Este sacrário, apesar de já não estar em uso, ainda em anos recentes serviu para guardar, na Igreja Matriz, a Reserva Eucarística durante o período que vai desde a missa celebrada na Quinta-Feira Santa até à celebração da Ressurreição de Cristo, na Vigília Pascal, realizada no sábado à noite.

 

 

Bibliografia:

ALDAZÁBAL, José. «Dicionário Elementar de Liturgia», disponível em: http://www.liturgia.pt/dicionario/

 

LAMEIRA, Francisco (s.d). «O Retábulo no Algarve», Promontoria Monográfica História da Arte, n.º 3, Universidade do Algarve, Faculdade de Ciências Humanas e Sociais, Centro de Estudos do Património, Faro;

 

SANTOS, Cristina Fé (2012). «Contributo para o estudo dos sacrários Barrocos em Portugal», Dissertação de Mestrado em História da Arte, Universidade do Algarve, Faro: