A Junta de Freguesia associa-se às Jornadas Europeias do Património que se realizam nos dias 25, 26 e 27 de setembro sob o mote “Património e Educação”.

O polo museológico de arte sacra vai estar aberto aos visitantes no horário habitual no dia 25, entre as 10h30 e as 12h00 e vai disponibilizar o folheto da peça em destaque do mês de outubro, antecipadamente.

 

Imagem e paramento de São Pedro

Nascido em Betsaida no início do século I a.C., Pedro, originalmente chamado Simão, foi um dos doze apóstolos de Jesus Cristo e foi o primeiro bispo de Roma.

Era pescador de profissão, tal como o pai, Jonas e o irmão, André. Foi este último que o apresentou a Jesus Cristo, de quem recebeu o apelido pelo qual ficou conhecido, conforme expõe o Evangelho de São João: «Levou-o a Jesus, e Jesus, fixando nele o olhar, disse: Tu és Simão, filho de João; serás chamado Cefas [que quer dizer Pedra]». (Jo. 1, 42).

As Escrituras permitem  perceber que, ao contrário do irmão, Pedro era casado e vivia com a mãe da sua esposa, a qual, por intermédio de Cristo, se viu restabelecida de uma enfermidade: «saindo Jesus da sinagoga, entrou na casa de Simão. A sogra de Simão estava com febre alta e pediram-Lhe por ela. Inclinando-se sobre ela, ordenou Ele à febre, e a febre deixou-a. Ela levantou-se imediatamente e pôs-se a servi-los». (Lc, 4, 38 – 39).

De acordo com o Evangelho de São Mateus, capítulo 4, versículos 18 – 20, percebe-se que Pedro foi chamado para seguir o Messias quando este o viu, juntamente com o seu irmão, a lançar as redes de pesca ao mar. Interpelados por Jesus, que lhes disse «vinde após mim e vos farei pescadores de homens», deixaram tudo para trás e iniciaram assim a vida religiosa. Num determinado episódio, em que Cristo questionou os seus discípulos «No dizer do povo, quem é o filho do Homem?» foi Pedro quem respondeu que «tu és o Cristo, o Filho de Deus Vivo!», razão que motivou Jesus a declarar este apóstolo como o líder da Igreja e entregar-lhe as chaves do Paraíso: «E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus». (Mt, 16, 18 – 19).

À semelhança do seu irmão, também Pedro foi um dos discípulos mais próximos de Jesus, marcando presença nos principais momentos da vida Daquele, como nas Bodas de Caná, quando a água foi transformada em vinho e na prisão de Cristo no monte das Oliveiras. Para além disso, foi sobre Pedro e João que recaiu a responsabilidade de organizar a Última Ceia: «Raiou o dia dos pães sem fermento, em que se devia imolar a Páscoa. Jesus enviou Pedro e João, dizendo: Ide e preparai-nos a ceia da Páscoa». (Lc. 22, 7 – 8). Após a Ressurreição e Ascensão de Jesus, o apóstolo fixou-se em Jerusalém, onde foi preso por ordem de Herodes Agripa e, no ano de 64, durante o reinado de Nero, foi crucificado de cabeça para baixo por considerar indigno ter uma morte idêntica à de Jesus.

Iconograficamente, São Pedro apresenta-se como um homem de carácter robusto e maduro, com barba curta e frisada e cabelo curto e encaracolado ou então calvo com uma mecha de cabelo à frente sobre a testa (no Ocidente), fazendo lembrar a tonsura clerical. As suas vestes têm diferido ao longo do tempo, consoante a representação seja como Apóstolo ou como Papa. Na arte cristã primitiva aparecia reproduzido com a toga antiga, cabeça descoberta e pés descalços e na Idade Média evoluiu para uma iconografia semelhante à dos papas, com o pálio e/ou a tiara cónica ou tríplice coroa, que simboliza a autoridade do papa.

Entre os seus principais atributos estão as chaves, em alusão à insígnia que lhe foi concedida por Jesus. Geralmente são duas chaves unidas – uma de ouro e outra de prata -, que representam o poder único de abrir e fechar, embora também apareça uma ou três. A este podem acrescentar-se outros elementos como a barca e o peixe, que simbolizam a sua profissão de pescador; o galo sobre uma coluna, a lembrar as três vezes que negou Jesus; a cruz de três ramos, um atributo papal e ainda a cruz invertida, símbolo do seu martírio.

Em Monchique existiu uma ermida dedicada a São Pedro, a qual ficava, segundo José Gascon «situada junto à colina, quinta e bairro do seu nome e oferecia graciosamente a sua fachada à rua que defronta da Portela e a antiga entrada nascente da vila». Sabe-se que a ermida já existia na segunda metade do século XVIII, uma vez que a primeira referência que lhe é feita surge na visita pastoral de D. Lourenço de Santa Maria, a 7 de junho de 1754. Pelas Memórias Paroquiais de 1758, somos informados que esta foi uma das ermidas que «padeceu ruína» pelo Terramoto de 1755, mas em «cujo reparo se está atualmente cuidando». Razão que explica as posteriores referências a esta ermida, sobretudo nas visitas dos bispos do Algarve ao edifícios religiosos de Monchique entre 1789 e 1803. Esta ermida perdeu o uso litúrgico no âmbito das revoluções liberais do século XIX, cujas «ruínas ainda eram visíveis na década de 1970, no local em que hoje está uma oficina de automóveis». (SAMPAIO, 2008, p. 10).

A imagem de São Pedro, em exposição no polo museológico de Arte Sacra, data do século XVII, é feita em madeira e tem as dimensões de 92 cm X 38 cm.

O paramento, que está guardado na Igreja Matriz, é constituído, segundo a respetiva ficha de inventário por uma «casula romana de damasco de seda vermelho com uma barra no sentido de comprimento em linho adamascado vermelho e amarelo. Nas costas tem as chaves de S. Pedro em seda verde e fio de prata. Tem a toda a volta um debrum de linho adamascado». José Gascon acrescenta que este paramento «honrosamente serve em 29 de junho, seu dia próprio».

 

Bibliografia:

 GASCON, José António Guerreiro (1993). «Subsídios para a Monografia de Monchique», 2.ª edição (facsimilada), Algarve em Foco Editora, Faro;

LAMEIRA, Francisco I. C. (1997). «Inventário Artístico do Algarve. A Talha e a Imaginária. XIV – Concelho de Monchique», Ministério da Cultura, Delegação Regional do Algarve, Faro;

SAMPAIO, José Rosa  (2008). «Antigas Igrejas e Conventos do Concelho de Monchique», edição de autor, Monchique;

Comissão Diocesana de Infraestruturas e Bens Culturais, «29 de junho. São Pedro, Príncipe dos Apóstolos», disponível em:  http://www.bcdp.org/docs/s.pedro.pdf (visualizado a 15 de setembro de 2020);

Bíblia Online, versão católica, Novo Testamento, disponível https://www.bibliaonline.com.br/vc/index (visualizado a  15 de setembro de 2020).

 

Elaborado por: Ana Mateus