Mó Manual

A palavra mó tem origem no latim, «mola», que significa pedra de moer.

Com a descoberta da agricultura, no Neolítico, o homem deu início a um novo processo de produção de utensílios e de transformação de alimentos, como a trituração de sementes e grãos que provinham do cultivo da terra. Para esse efeito, começou a utilizar duas pedras simples, sendo uma fixa de formato côncavo e outra, mais pequena, movida manualmente sobre o cereal. São as designadas mós de rebolo ou de vaivém.

Em Monchique, no decorrer de prospeções arqueológicas, foram encontrados alguns fragmentos destes utensílios, que vêm comprovar a ocupação do território por parte de comunidades pré-históricas. No Castelo da Nave, registaram-se duas mós manuais de vaivém, fragmentadas, em sienito nefelínico e numa sepultura neolítica, no sítio da Palmeira, foi detetada «uma mó manual de vaivém, fragmentada, em sienito nefelínico, encontrada na mamoa que envolvia a sepultura Palmeira 12». (CAPELA, 2014, pp. 67 – 73).  (Figura 1).

Com o passar dos anos, a necessidade de reduzir os cereais a farinha manteve-se, mas o arcaico aparelho de moagem evoluiu e deu lugar à designada mó manual, que foi introduzida pelos romanos. Esta era composta por duas pedras circulares sobrepostas, de igual diâmetro, sendo a de baixo fixa (dormente) e a de cima movível (movente) de forma giratória.

No Algarve, sobretudo em zonas rurais onde se cultivava milho, era frequente o recurso a estes sistemas de moagem para a obtenção de farinha de milho, que era muito utilizada na confeção das tradicionais papas. Referindo-se a Monchique em particular, José Gascon afirma que aquela «constitui a principal alimentação de muita gente», e além de ser consumida em papas, também «entra na composição de pão, broas, bolo de tacho, morcelas de farinha (com sangue de porco) etc». (GASCON, 1993, p. 365).

Uma mó manual é formada por duas pedras circulares, feitas de calcário ou sienito, ligadas por uma segurelha, isto é, a peça que permite tornar uniforme o movimento da mó de cima. Esta, apresenta ao centro, um orifício, no qual o milho é introduzido e esse vá escorregando para debaixo da dormente. Para que a moagem se faça, as mós têm de ser picadas, até que se formem relevos que aumentem o atrito entre as duas pedras e facilitem a trituração do grão. Assim, quando a movente roda, o cereal vai ser esmagado e a farinha vai sair pelos bordos do engenho e cair no interior da alcofa ou seira que alberga a mó. Na parte superior do aparelho há um cabo de madeira que auxilia o movimento. (Figura 2).

Bibliografia:

CAPELA, Fábio Filipe Gomes Simões (2014). «Contributos para o conhecimento da Pré-história Recente e da Proto-história da Serra de Monchique», Arandis Editora, Albufeira;

GASCON, José António Guerreiros (1993). «Subsídios para a Monografia de Monchique», 2.ª edição (facsimilada), Algarve em Foco Editora, Faro;

SAMPAIO, José Rosa (2010). «Engenhos tradicionais de moagem do concelho de Monchique», Associação Memo/Junta de Freguesia de Monchique, Monchique.